domingo, 10 de novembro de 2013

Manifestaçoes contra e a favor do golpe

Marcha da Família com Deus pela Liberdade

Esse foi o nome da primeira manifestação em apoio ao golpe militar que aconteceu no Brasil, ela foi organizada em resposta ao comício realizado pelo Presidente João Goulart na Central do Brasil, no qual anunciou seu programa de reforma de base, que interferia nos interesses das classes médias e altas, já que o intuído desse programa era distribuir bens e terras aos mais pobres. Os manifestantes saíram em passeata no dia 19 de março de 1964, em São Paulo, saindo da Praça da República e terminando na Praça da Sé com os sinos das Igrejas mais próximas ao fundo e a realização de uma missa.


A marcha conseguiu mobilizar 500 mil pessoas, entre eles o Governador do Estado da Guanabara Carlos Lacerda, o Presidente do Senado Auro de Moura Andrade e o Governador de São Paulo Ademar de Barros, sua esposa Leonor de Barros e a Campanha da Mulher pela Democracia foram responsáveis por convocar o alto clero. A Marcha contou com o apoio de outros estados como Belo Horizonte e Curitiba que também promoveram uma passeata contra o governo de João Goulart.

A manifestação foi o sinal que os militares estavam esperando para invadir o Rio de Janeiro e tomar o poder, depondo o Presidente Jango em 1º de abril de 1964 e exilando-o no Uruguai. No dia 2 de abril é realizada uma nova passeata no Rio de Janeiro, mas dessa vez com o nome de Marcha da Vitória, demonstrando que a população realmente estava apoiando a retirada de Jango da Presidência do Brasil. A partir desse momento, os militares comandaram o País, de maneira rígida, combatendo duramente qualquer resquício de comunismo.

Passeata dos 100 mil

A ditadura se tornou insuportável quando o estudante Edson Luis Lima Souto foi assassinado sem motivos pelos militares, enquanto jantava em um restaurante para estudantes de baixa renda, a partir daí o movimento estudantil começou a se organizar e promover passeatas que sempre terminavam em confronto com a polícia, que tentava reprimir os manifestos contra o governo, a passeata do dia 18 de junho de 1968 resultou na prisão do líder estudantil Jean Marc Van Der Weid, em uma nova passeata que pedia a libertação das pessoas que foram presas no dia 18, resultou na prisão de mais 300 pessoas. Em outra manifestação organizada no centro do Rio terminou com violência entre policiais e estudantes, 28 mortos, mil pessoas foram presas e mais de cem foram feridos, este dia ficou marcado como o maior confronto entre militares e civis e passou a se chamar de “sexta-feira sangrenta”.

Depois de tantos dias de combate, o governo permitiu que fosse feita uma passeata sem repressão no dia 26 de junho, este dia começou com a reunião de 500 mil pessoas entre elas, artistas, intelectuais, religiosos e as mães dos estudantes que lutavam pelo nosso País, um pouco mais de uma hora do início da manifestação o número de pessoas chegou a 100 mil, com a duração de três horas e pela primeira vez terminando sem conflito com a polícia. 


Logo após a manifestação houve uma reunião do Presidente Costa e Silva com os líderes estudantis Marcos Medeiros e Franklin Martins que reivindicaram a liberdade dos estudantes presos e o fim da censura, nenhuma delas foi atendida, resultando em uma nova passeata que reuniu 50 mil pessoas, desta vez a polícia repreendeu duramente os estudantes. Um mês depois de tantos dias de manifestações foi decretado que estava proibido qualquer tipo de manifestação em território Brasileiro e no dia 13 de dezembro foi legalizada a repressão.

Durante 21 anos o Brasil ficou mergulhado em um regime antidemocrático, onde a população não tinha o direito de contrariar o governo, o comunismo era combatido cegamente com atos de tortura e exilamento. Diferente de outros Regimes Ditatorial, o nosso teve cinco ditadores diferentes, o primeiro foi Humberto de Alencar Castello Branco que governou de 1964 a 1967, logo depois veio Arthur da Costa e Silva que ficou no cargo de 1967 a 1969, Emílio Garrastazu Médici representou os militares de 1969 a 1974, foi com o quarto Presidente que o País começou a mudar aos poucos para uma democracia, quando Ernesto Geisel (1974-1979) amenizou as repressões contra a população e foi o último Presidente da ditadura João Baptista de Oliveira Figueiredo que ficou no cargo de 1979 a 1985, que acabou com o bipartidarismo e aprovou eleições diretas para governador em 1982. 

O Brasil começava a ganhar formas de País democrático, para ser uma democracia de verdade só faltavam as eleições para Presidente que foram exigidas em 1984 no movimento “Diretas Já”, organizado por Ulisses Guimarães, mas a ementa que fazia esse pedido foi rejeitada, mas logo depois Tancredo Neves foi eleito indiretamente, mas por motivo de doença quem assumiu foi seu vice José Sarney e foi em maio de 1989 que a ementa para eleições para Presidente foi aprovada, deixando os anos negros da ditadura para trás e tornando o Brasil em um País democrático. 
Por: Deborah Aline de Araujo

A Imprensa Brasileira: Os dias que seguiram o golpe


O apoio da classe média, que temia a ameaça do Comunismo, de políticos de renome, como o então governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda, e de grande parte da imprensa teve papel fundamental na implementação e na posterior legitimação do regime militar. Entre os jornais de maior renome, "O Globo", "O Dia", "Tribuna da Imprensa" e "Estado de S. Paulo" mostraram-se os mais fervorosos em enaltecer a ação dos militares, enquanto outros, como o "Diário Carioca" e o "Última Hora", continuaram a defender Jango. O custo do apoio ao Golpe, porém, foi elevado tanto para os que foram a favor quanto para os que se opuseram ao novo governo, que, até então, era tido como provisório. 

Redações, como a do "Jornal do Brasil", começaram a sofrer perseguições na própria madrugada que sucedeu a deposição de João Goulart. Os chamados "gorilas", soldados armados, entraram nos prédios de alguns jornais de forma ameaçadora. Soldados atiraram para o alto antes de entrarem, já demonstrando o caráter repressor do regime militar que se instauraria. A redação do jornal "Última Hora" foi reduzida à cinzas.                                            




A censura não viria imediatamente, mas a presença governamental se intensificou nas redações. Antigos apoiadores da intervenção ficaram apreensivos ao perceber que a "ação cirúrgica dos militares" ganhava características permanentes e, aos poucos, podiam ver suas liberdades sendo tomadas. Mesmo assim, muitos editoriais decidiram permanecer otimistas em suas publicações. 

"O Globo", dois dias após o Golpe, publicou nas linhas iniciais de sua matéria de capa que o Brasil vivia dias gloriosos, enquanto tratava sobre a posse de Ranieri Mazzilli, que duas semanas depois entregaria o cargo ao marechal Castelo Branco, iniciando de forma oficial o governo militar. 




Outros trechos de notícias que se destacaram nos dias que seguiram o Golpe:
  • "Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!" - Correio da Manhã, 1º de Abril de 1964
  • "Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada." - Jornal do Brasil, 1º de Abril de 1964
  • "A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento" - O Dia, 2 de Abril de 1964
  • "Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade." - O Estado de Minas, 2 de Abril de 1964
  • "Feliz a nação que pode contar com corporações militares de tão altos índices cívicos" - O Estado de Minas, 5 de Abril de 1964

Por: Marlon Carrero, Cristiane Viamonte e Pedro Lopes


terça-feira, 5 de novembro de 2013

A Cultura na Ditadura Militar, a música e a literatura

Cultura

A ditadura militar tentou vetar, ou dificultar, a livre circulação de ideias no Brasil e a censura foi o grande problema do cinema, das artes, da literatura, do teatro e de qualquer forma de manifestação cultural. Nada escapava dos “olhos” da ditadura de impedir o debate no Brasil. O Governo Militar que durou de 1964 a 1985 representou o período de ditadura no Brasil. Um período conturbado e controverso na história do país. Já não era permitida a liberdade de expressão, e a arte tornou-se uma prisioneira dos interesses daqueles que mandavam no país. Houve censura e repressão.

A criatividade era considerada um crime, um pecado cuja punição era dura demais para se atreverem a cometê-lo. Artistas foram presos, torturados e exilados. Durante a Ditadura, mesmo com a censura, a cultura brasileira não deixou de criar e se espalhar pelo país e a arte se tornou um instrumento de denúncia. O reflexos que a ditadura deixou podemos ver até hoje em músicas, filmes, livros, espetáculos...

Música

A música em 1964 sofria uma mudança mais brusca do que muitos poderiam imaginar. Os Beatles já apareciam no cenário mundial com quatro álbuns lançados (Please Please Me, With the Beatles, A Hard Day's Night e Beatles for Sale), Rolling Stones lançam seu primeiro disco, Bob Dylan surge com seu quarto lançamento e Elvis Presley se consolida com seus diversos hits nas paradas de sucesso.
 
O quarteto de Liverpool seguia para a sua primeira visita aos Estados Unidos, o que dirigia todas as atenções a terra do Tio Sam. No dia 7 de fevereiro de 1964, o Kennedy Airport, em Nova York, recebia os músicos e mexia com a normalidade de uma vida regrada da década de 60. As listas de “mais tocadas” apareciam recheadas das composições de Lennon/McCartney. No dia 4 de abril, as cinco primeiras posições de “Top Pop Singles”, da Billboard, foram ocupadas por: "Can't Buy Me Love", "Twist and Shout", "She Loves You", "I Want to Hold Your Hand" e "Please Please Me".


Bob Dylan também surgia no mundo da música e no dia 8 de agosto, disponibilizava para o público “Another Side of Bob Dylan”, seu quarto álbum. A esta altura, o nome do americano já era escutado nas rádios e o clássico “Blowin’ in the Wind” embalava a juventude da época.

Os Stones iniciavam sua caminhada com seu primeiro disco, autointitulado. O grupo de Jagger acompanhava e inaugurava uma mudança na atitude da sociedade. Além disso, mudava o jeito de fazer música. A partir daí, os jovens abandonavam o visual conservador e ousavam no comportamento. Era uma consciência mais questionadora surgindo amparada pela música.

Elvis Presley já colecionava uma discografia de 22 álbuns e ditava uma tendência nas composições e apresentações dos músicos da época. Era uma figura respeitada, admirada e seguida por muitos. O Rei do Rock fazia a cabeça das meninas e despertava uma certa “raiva admiradora” em muitos rapazes. Mais uma vez, consegue-se perceber que algo fugia do padrão e o Brasil não ficava isento disso.


A música brasileira, então, começa a descobrir quem são os nomes que vão acompanhar a revolução musical a partir da década de 60. Músicos que fizeram com que a cultura do nosso país adquirisse contornos mais característicos. Chico Buarque, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Caetano Veloso seriam as vozes presentes em qualquer grito contra a ditadura, trilhas sonoras para um país livre. Essa trilha bebe de uma fonte alimentada pelo que foi produzido no início da década de 60. Lógico que o samba era predominante, mas a influência estrangeira ditava uma forma de pensar e uma maneira de organização muito comum nos protestos e comportamento da juventude.


O musico Geraldo Vandré, compôs o hino da ditadura “ Para não dizer que não falei das flores” onde ele enfatizou as injustiças cometida pelos governantes. Ele acabou preso, torturado e exilado. Abaixo segue o trecho do hino da ditadura:

“...Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...”



Literatura

O regime militar além das músicas, filmes e outras manifestações artísticas, também deu origem a vários livros sobre o tema mostrando o que aconteceu, os bastidores, depoimentos, o fato histórico em si, informações importantíssimas para a nossa cultura e história do Brasil.

A literatura havia se tornado um meio de denunciar os absurdos cometidos pelo regime militar e de evitar o que houve um “silêncio” absoluto da sociedade. No Brasil, entre 1970 e 1988, mais de 140 livros chegaram a sofrer censura prévia como, por exemplo, “Feliz Ano Novo”, de Rubem Fonseca e “Dez Histórias Imorais”, de Aguinaldo Silva.

A censura aos livros começou em 1964, com o fechamento do Editorial Vitória, ligada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Desde então, a censura aos livros foi marcada por uma atuação confusa. Houve por conta disso, uma migração para a área infantil, já que a literatura destinada às crianças era pouco visada pela censura. A escritora brasileira, Ana Maria Machado, foi uma das que participaram desse movimento com a utilização de metáforas para questionar o poder misturadas nas histórias infantis.

Por: Tatiana Campbell, Joyce Santos e Pedro Fernandes

Sobre 1964, para os jovens

Esta é uma mensagem que este velho professor dirige aos jovens do meu país. Decidi redigi-la muito em função dos meus mais de trinta anos de magistério. A juventude sempre foi a maior razão de ser da minha carreira. Acho que aprendi mais do que ensinei. Confio na mocidade brasileira porque a entendo e valorizo. Sei das imensas dificuldades que vocês enfrentam, num país onde a educação, infelizmente, não é prioridade governamental. O magistério também não escapa desse lamentável contexto.

Não interpretem este artigo como uma defesa do Movimento Revolucionário de 1964 ou qualquer outra denominação que vocês utilizem para classificar a tomada do poder pelos militares em 1964. Não pretendo defender ou atacar posições políticas, muitos meno ainda, confrontar ideologias. Meu único objetivo é invocar o discernimento da juventude para o culto a VERDADE. Vale lembrar Winston Churchill: “a verdade é inconvertível. A calúnia pode atacá-la, a ignorância pode zombar dela, mas no fim, lá está ela, por inteiro.”

A opção por determinada interpretação de um fato histórico não deve ser baseada em nenhuma outra circunstância senão a VERDADE a ele inerente. Em caso contrário, estaremos defendendo a ignorância e até mesmo a calúnia. E como, então, atingir a VERDADE? Não há outro caminho para se chegar a ela, senão o da busca pessoal, através da pesquisa histórica.

Os acontecimentos de 1964 têm disponível uma farta documentação. O ideal para uma pesquisa confiável e isenta é a consulta à farta literatura existente, tendo o cuidado de mesclar os autores de modo a permitir o contraditório. O noticiário da mídia daquele período - amplamente disponível - também pode fornecer uma visão correta do cenário daqueles dias conturbados da vida nacional. Os depoimentos de participantes dos acontecimentos de 1964 são outra fonte a ser consultada, evidentemente com o devido senso crítico, já que há uma natural tendência de cada um apresentar a sua “verdade”. Também devemos estar atentos às mentiras e calúnias formuladas por oportunistas, radicais e fanáticos, descompromissados com qualquer propósito de verdade histórica.

E porque este velho mestre sugere aos mais jovens uma pesquisa pessoal sobre aqueles acontecimentos? A razão é por demais conhecida, principalmente dos mais antigos: a partir de 1964 instalou-se no meio acadêmico brasileiro uma ideologização do estudo da nossa história, principalmente contemporânea. Ou seja,abandonou-se a necessária isenção do analista e adotou-se uma leitura inverídica de todo aquele contexto. A resultante não poderia deixar de ser outra: gerações de estudantes e professores são submetidos a uma verdadeira lavagem cerebral onde, o que menos interessa é a verdade histórica.

Como corolário desse contexto, uma expressiva parcela da juventude brasileira é absolutamente mal informada sobre o período em tela. Todos nós, que já ultrapassamos a mocidade, sabemos das eternas características dos jovens. Não importa a geração, são sempre passionais, inovadores, rebeldes, contestadores e intensamente hormonais. Portanto, ávidos por mudanças e reformas. Suscetíveis, é claro, de extremismos e radicalismos. Por conseguinte, alvo fácil para os detratores da verdade.

Autor: Sérgio Pinto Monteiro* - Professor
Por: Gabriel Santoro

*o autor é professor, historiador e oficial da Reserva Não Remunerada do Exército Brasileiro. É presidente do Conselho Nacional de Oficiais R/2 do Brasil, Diretor de Cultura e Civismo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e da Academia Brasileira de Defesa. É autor do livro “O Resgate do Tenente Apollo” (2005 - Ed. CNOR)

Carta endereçada ao Presidente das Organizações Globo

"No início de 1964 o Brasil estava à beira do abismo. Uma inflação galopante e um governo fraco, em sua maioria, composto de radicais de esquerda que estimulavam e instigavam a indisciplina nas Forças Armadas para, assim, tentar vergar sua coluna vertebral, sempre apoiada no binômio hierarquia e disciplina, pilares constitucionais de sua base organizacional.    
  
Caminhávamos, celeremente para nos tornar uma república sindical. Todo esse processo de deliberada instalação do caos no país, debilitando seu Poder Militar e as instituições civis, certamente se encontram nos arquivos desse jornal, como de toda a imprensa da época. São inúmeros os registros dos episódios protagonizados pelo governo e que antecedem a março de 1964, como a Revolta dos Sargentos de Brasília, a reunião do presidente da República com praças das Forças Armadas e Auxiliares no Automóvel Clube, a amotinação de cabos e marinheiros no Sindicato dos Metalúrgicos e muitos outros graves episódios.

Havia, sim, uma revolução em marcha. Aquela que, em pleno panorama bipolar e irracional “Leste-Oeste”, queria fazer triunfar, no Brasil, como já ocorrera em outros países, o regime do partido único, da única verdade, da imprensa única. Enfim, do obscurantismo, também único. Em contrapartida a essa situação, nascida no seio da sociedade civil, também se  pôs em marcha uma contrarrevolução, imediatamente apoiada pelos militares. Heroicamente comandada pelas mulheres brasileiras, a sociedade, aos milhares, fez-se às ruas em defesa da democracia. Os homens de bem deste país não podiam ficar alheios ao clamor. Toda a grande Imprensa, a Igreja, a OAB, a ABI, políticos e outras significantes instituições aderiram, na primeira hora, ao contragolpe brasileiro.

Cumpre-me registrar, orgulhoso, que naqueles dias de mares encapelados, este clube foi sede da resistência, um quartel-general onde destemidos oficiais se uniram para manter erguida a bandeira da liberdade. Tudo isso, senhor presidente, está fartamente documentado no novo sítio eletrônico dessa portentosa organização. E, passado quase meio século daqueles dias, vem agora o jornal confessar que cometeu um erro. Essa nova postura editorial nos leva a refletir, perplexos, que a pena de Roberto Marinho deveria, pois, ter apoiado o estado de coisas de então. Inimaginável.

Trata-se, portanto, de um mea culpa decepcionante para a memória dos que acompanharam aqueles dramáticos episódios da vida nacional. Em vez de erro, seria mais aceitável assumir eventuais divergências com os rumos que o movimento de 64 tomou, segundo o entendimento do jornal. Ledo engano acreditar que, assim procedendo, estão as Organizações Globo seguindo a vontade da Nação. Esta, por certo, nunca renegou seus valores morais e sua tradição cultural. Jamais correu atrás de grupos minoritários, escandalosamente estrepitosos e detentores de subfilosofias de alta rotatividade, sempre ao sabor dos eventuais donos do poder. Longe disso, a esmagadora maioria da sociedade deseja ordem, decência, prosperidade e coerência.

E é por isso, senhor Presidente, que as Forças Armadas da nação brasileira, cujo nascimento coincide com o alvorecer da própria Pátria, continuam, desde sempre, a liderar pesquisas de opinião sobre a credibilidade das instituições nacionais. Não têm do que se arrepender. Sabemos ser possível mudar de nome, de nacionalidade, de clube, até de sexo. Mas, é impossível mudar a História."

Autor: Paulo Frederico Soriano Dobbin - Vice-Almirante (Ref-FN)
         
Presidente do Clube Naval

https://www.clubenaval.org.br

Por: Gabriel Santoro

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O Teatro em 64 - A Arte Reprimida


“Afasta de mim esse Cálice” era o que todos os artistas cantavam em silêncio e com a cabeça  baixa enquanto andavam nas ruas durante o ano de 64. A arte que contém em si todo o furor da expressão histórica e de pensamento agora teria que ser abafada. O movimento artístico foi reprimido como qualquer outro movimento que tivesse algum resquício de esquerda, ou qualquer detalhe que os militares julgassem como “suspeito”.

A repressão sempre precisa de alguns buracos para escapar e não acabar sufocada, mas arte sufocada só poderia gerar mais arte. E foi o que aconteceu. Embora as artes só fossem ser duramente censuradas a partir do AI-5, em 64 já era discutido entre os artistas onde esta não liberdade no cotidiano brasileiro ia parar. Já não era permitido debater os conceitos, nem se expressar de forma livre, abrindo todas as portas e cabeças, como a arte costuma fazer.  Os militares reprimiram o movimento que não tem limites e parafraseando novamente Chico Buarque, quando chegou o momento, eles cobraram o sofrimento com juros.

A peça “Liberdade, Liberdade”, escrita por Flávio Rangel e Millôr Fernandes, foi encenada pela primeira vez em 1965 e reunia vários textos históricos.  Foi produzida pelos grupos Opinião e Teatro de Arena, muito conhecidos naquela época por se dedicarem a criar uma nova dramaturgia brasileira. O grupo Oficina tinha como diretor Augusto Boal, precursor do teatro do oprimido, uma técnica amplamente conhecida hoje no mundo todo. Existiam mais dois grupos importantes nessa época, que era o Oficina e o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia).

O grupo Oficina foi dirigido por um dos mais brilhantes diretores de teatro, conhecido como Zé Celso, que até hoje divide opiniões entre as pessoas. A peça mostrava justamente como o teatro seria a resistência daquele golpe que acabava aos poucos com as liberdades individuais de expressão. Aos poucos, foram formando grupos pequenos, que se instalavam nas pequenas companhias de teatro e em espaços alternativos, com pouco público. O importante era passar a mensagem e continuar vivendo a arte, mas claro que de forma branda e mascarada.


O clima começou a esquentar em março de 65, quando aconteceu a proibição total do texto, "O Vigário", de Rolf Hochhuth. Algumas peças já tinham sido censuradas em algumas partes e precisaram estruturar novamente o texto para que partes fossem cortadas ou modificadas. Mas a partir da primeira proibição de uma peça inteira foi o suficiente para começar uma onda de proibições de expressões culturais.

Os responsáveis e atores das montagens eram acusados de estarem "engajados na implantação de uma ditadura cultural, através do abuso de liberdades democráticas e em estreita obediência à recente diretriz do PCB" - uma linguagem que se tornaria rotineira  partir desse ponto.
Em dezembro o grupo “Opinião” foi uma das principais companhias a começar de frente com o Regime Militar. Eles apresentaram o show Opinião, dirigido por Augusto Boal, o diretor que criou e introduziu o teatro do oprimido no Brasil. O show foi interpretado por Nara Leão, na época.


Em 64 ainda pouco se sabia o que viria a acontecer com o teatro brasileiro. Pode-se dizer que no ano de 1968 o teatro viveu um dos momentos mais críticos do país. Teatros fechados, peças proibidas e atores humilhados pelos militares em cima do palco. Até o AI-5 um sentimento de luta passava pelos atores. Eles queriam reinventar o teatro, criar novas técnicas e conceitos, mas tiveram que se conter em fazer tudo debaixo dos panos.


Por: Marcela Picanço

1964, o incêndio da UNE e a perseguição

A União Nacional dos Estudantes que resistiu ao fogo, às balas, e ao sangue daqueles anos de dor

O Brasil testemunhou a nauseante marcha de ventríloquos no dia 19 de março do fatídico ano de 1964, que entrou para a história sob a alcunha de Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Mas para que liberdade rumava aquela classe média que nunca gostou de rua? Rumou para o abismo de sangue que latejou por 21 anos; viu seus filhos, estudantes e trabalhadores, morrerem com requintes de crueldade nas mãos de um poder de chumbo, onde democracia e liberdade deixaram de participar do vocabulário nacional.

O futuro trágico dessa juventude começou a ser marcado - com traços de sangue, fogo e desespero – naquela madrugada do dia 31de março para 1 de abril. O presidente João Goulart, o popular Jango, já havia sido deposto pelos Senhores de Farda, e o próximo passo seria a busca alucinada por exterminar todo e qualquer grito, ou mesmo suspiro, de emancipação, de questionamento, de luta pela democracia e pela liberdade do povo brasileiro. E é claro que o regime repressor dos militares se preocupava muito com os anseios e vigores da juventude pelas ideias e ações libertárias, sobretudo a juventude organizada e dotada de conhecimento. A já histórica União Nacional dos Estudantes (UNE), que gozava de 27 anos de luta, foi um dos primeiros alvos – se não o primeiro – do então governo militar/fascista do Brasil.

 As chamas se espalham pelo prédio da União Nacional dos Estudantes no ataque dos militares em 1964 / Foto: Memória UNE
Tão pronto os militares decretaram o fim da democracia no país, os tanques e soldados – que também marchavam vendados – cercaram os arredores do número 132 da Praia do Flamengo, na Zona Sul, do Rio de Janeiro – a sede da União Nacional dos Estudantes. Ali estavam reunidos estudantes de diversas universidades do Rio de Janeiro e do Brasil, e muitas lideranças da entidade estudantil, que após receberem a notícia do levante dos militares optaram por permanecer em vigília na sede da UNE para acompanharem juntos os acontecimentos seguintes. A decisão quase custou a vida de todos naquele momento – infelizmente muitos não escaparam depois - a sorte foi que um militante estudantil, Antônio Carlos Peixoto, assim que soube dos rumores sobre o decreto do Golpe se apressou para avisar os companheiros e companheiras da necessidade de agilizar a retirada. Vinha chumbo grosso pela frente!

As centenas de estudantes mal conseguiram sair do prédio e o aparato repressor do exército fascista brasileiro já metralhava o prédio da UNE e hasteava fogo sobre a Casa dos Estudantes. As cenas de guerra começavam no Brasil, o medo de pensar diferente pulsava e a punição agora era a morte. Os estudantes que escaparam por pouco ainda puderam ver o prédio onde viveram tantas histórias e onde construíram tantas lutas arder em chamas e ruir desesperadamente, assim como seus corações naquele momento de angústia, medo e de grande incerteza.
Mas é claro que os estudantes não puderam ficar ali assistindo a edificação ruir em brasa, é claro que não. Agora eles não eram mais simples universitários e militantes, eram perseguidos políticos e muitos até terroristas perigosos - assim contava a carochinha fardada e, nos anos seguintes, televisionada.
A ação do governo militar golpista deixa um cenário de destruição na Praia do Flamengo / Foto: Memória UNE

Os estudantes fugiram dali, e atordoados foram em busca de organização, força e união; os estudantes correram à procura de companheiros, à procura de unidade – afinal quanto maior o número, maior a força. A militância e os líderes que estavam no prédio da UNE seguiram para a Faculdade Nacional de Direito (FND) da UFRJ, para o Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO).
Outras tantas dezenas de jovens já estavam no lendário prédio da FND, reunidos no CACO para discutir, deliberar, encaminhar, temer, o que já acontecia no Brasil e o que ainda havia por vir. Os estudantes fugidos da perseguição na sede da UNE se encontraram com os tantos que já estavam na Faculdade Nacional de Direito à procura de refúgio, força e segurança. Mas não era esse o plano dos militares.

O exército do poder golpista viu a chance de liquidar de uma só vez diversos líderes e potentes militantes estudantis – que certamente não deixariam de lutar pela libertação do país e ainda dariam muito trabalho para os sangrentos órgãos de repressão do governo. O amontoado de militares que metralhou e incendiou o prédio da entidade estudantil seguiu para o CACO da UFRJ; mais e mais milicos vinham de toda parte para cercar o Centro Acadêmico - na ânsia comandada por terminar o serviço da Praia do Flamengo, 132.
Neste momento entrou em cena um daqueles valorosos heróis que ficam marcados pela coragem e pela defesa do povo brasileiro, o capitão do exército de Jango, Ivan Cavalcanti Proença. Ivan, legalista e antigolpista, que era capitão do Regimento Presidencial (Dragões da Independência) e comandante da Guarda do Ministério do Exército; estava comandando um destacamento nos arredores da FND.

Os soldados da ditadura já haviam cercado completamente o prédio, apontavam dezenas de metralhadoras e já arremessavam bombas de gás lacrimogênio e granadas dentro da faculdade. A correria e o desespero dos estudantes foram generalizados, jovens caídos pelas escadarias e uma angústia latente ecoava nas centenárias paredes da FND.  A saída estava cercada e próximo passo seria a invasão covarde e cruel. Neste momento, o então capitão Ivan Proença ordenou a resistência de seus subordinados, apontou o tanque para as tropas do exército, que segundo o próprio Ivan, estavam prontas para metralhar qualquer estudante que ousasse sair; e afugentou os iminentes assassinos. Em seguida, o capitão Ivan Proença ordenou e comandou sua tropa na desocupação do prédio, Ivan conta que subiu rapidamente as escadarias do edifício abrindo as janelas e auxiliando os estudantes a partirem em retirada.
Naquela manhã de 1 de abril de 1964 nenhum estudante foi morto pela ditadura militar na Faculdade Nacional de Direito – mas certamente não teriam a mesma chance se o bravo Ivan Proença não estivesse ali.

Entretanto e infelizmente, nem Ivan, nem Marighela, nem Maurício Grabois, nem Lamarca, nem João Amazonas, nem Honestino, nem tantos outros heróis que lutaram nessa incicatrizável época; conseguiram salvar tantos estudantes, brasileiros e brasileiras, daqueles 21 anos de tortura, de dor e de morte. Muitos daqueles que conseguiram fugir do incêndio da Praia do Flamengo, ou serem salvos pelo capitão legalista Ivan Proença, não tiveram a mesma sorte meses ou anos depois. Muitos estudantes tombaram, pagaram com a vida, e pagaram por acreditar em um país mais justo e democrático, pagaram por pensar diferente, pagaram por não aceitarem entregar o Brasil e nossa soberania.

Entretanto e felizmente, o sangue derramado e a história de luta desses estudantes seguem vivos nos corações e na ânsia de mudança das gerações seguintes. Entretanto e felizmente, a bandeira da União Nacional dos Estudantes não deixou de ser empunhada e não parou de tremular mesmo durante esses anos sombrios e mesmo diante de tantos outros desafios da história do nosso país - que também se confunde com a história da UNE, que neste ano completou 76 anos de existência, de rua e de conquistas. Entretanto e felizmente, a luta dos estudantes não parou e não irá parar – muitas batalhas vieram depois daqueles anos e muitas vitórias também.

O terreno da Praia do Flamengo 132, por muitos anos passou a ser um estacionamento, onde muitos esqueceram o que ali se passou, o que ali se construiu. Mas os estudantes não.
Em 2 de fevereiro de 2007, milhares de estudantes de todo país se reuniam no Rio de Janeiro, no bairro da Lapa, para a 5ª Bienal da UNE. E aos milhares os estudantes marcharam com muito entusiasmo, empunhando e sacudindo muitas bandeiras da entidade, cantando suas palavras de ordem; rumo ao lugar de onde nunca deveriam ter saído, rumo à Praia do Flamengo 132, rumo à Casa da UNE. Naquele dia, os estudantes derrubaram o portão e ocuparam o terreno; dia após dia, mês após mês, se revezaram na ocupação até garantirem a vitória na justiça: a reintegração de posse. Finalmente, os estudantes poderiam voltar pra casa.

A luta dos estudantes no Brasil atravessou gerações e nunca parou de pulsar, ao contrário do que tenta mostrar nossa grande mídia na sua busca incessante por desqualificar e criminalizar os movimentos sociais e as lutas populares.  A mesma mídia que ajudou a colocar os militares no poder, tenta construir na sociedade a ideia de que a luta estudantil de nada vale, ou que até mesmo nem mais existe. Mas os estudantes do Brasil continuam sua sina de luta e mesmo contra a vontade dos poucos e tão poderosos não vão parar de lutar.

Quase 50 anos após aquele repugnante episódio, a União Nacional dos Estudantes continua de pé e conquistando. A UNE em 2013 alcançou uma das principais vitórias do movimento estudantil brasileiro: a aprovação dos 75% dos Royalties do Petróleo para Educação – uma bandeira que foi inicialmente levantada em uma das tantas plenárias dos jovens da UNE, e foi ganhando força com muita mobilização dos estudantes, ganhou apoio de outros segmentos da sociedade, e finalmente foi aprovada. A perseguição nunca será esquecida, mas os estudantes do Brasil seguiram lutando e conquistaram uma vitória épica para o futuro da educação brasileira. Contrariando tantos, os estudantes comemoraram a conquista - como em vários outros momentos da luta estudantil – bradando: “Nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu? Aqui está presente o Movimento Estudantil!”
Parece ser esse o recado que fica para as gerações seguintes e para os que ainda duvidam da força e do vigor dos estudantes brasileiros na defesa de uma pátria melhor, mais justa e soberana.
Terreno da UNE após a reintegração de posse dos estudantes. No local será construído o novo prédio da entidade, projetado pelo saudoso arquiteto e ex militante estudantil, Oscar Niemeyer / Foto: Memória UNE

Por: Bruno Ferrari Baptista

A Operação Brother Sam

Foi em Junho de 1962, que documentos registraram o alinhamento do governo norte-americano às conspirações para tirar o presidente João Goulart do poder no Brasil. Uma conversa secreta entre John Kennedy, assessores e membros da CIA, deixou nítida a intenção da Casa Branca em intervir nas eleições de Outubro de 62, temendo um governo de esquerda no Brasi.

A época era de caça às bruxas nos EUA e quem apoiasse a esquerda ou fosse uma ameça comunista, era perseguido pelo governo americano. As reformas pregadas por Jango incluíam a extensão do direito a voto aos analfabetos, a nacionalização de refinarias e outras mudanças hoje nada assustadoras. Na época, era definido como comunismo.


A Operação Brother Sam consistia em uma invasão das forças armadas norte-americanas ao Brasil, com o objetivo de apoiar os deflagradores do golpe de Estado que derrubou o presidente João Goulart. Sua missão era reprimir qualquer tentativa de apoio de militares que fossem fiéis ao governo deposto.

Como comprovariam documentos divulgados anos mais tarde, parte da força naval americana deslocou-se para os arredores da costa brasileira. Caso explodisse a guerra civil, os Estados Unidos socorreriam os golpistas e reconheceriam formalmente o governo rebelde. A operação, que é negada até hoje por seus protagonistas, está registrada em detalhes na documentação histórica do Congresso estadunidense.

No dia 31 de Março de 64 iniciou-se a Operação Brother Sam na costa brasileira, ao sul do estado do Espírito Santo, pronta para intervir ao primeiro sinal do embaixador americano Lincoln Gordon.  Na frota do Caribe havia um porta-aviões, um navio de transporte de aeronaves com 50 helicópteros e armamento pesado, vinte aviões C-135 para transporte de material bélico e muito mais, prontos para confronto direto.


No dia 1 de Abril os militares instauravam o golpe de Estado.  Para evitar uma guerra civil, o presidente Jango partiu para o exílio no Uruguai e o golpe militar estava consolidado.


Como não houve resistência ao golpe, a operação foi cancelada e a armada norte-americana retirou-se da costa brasileira sem uma participação efetiva. A ameaça vermelha tinha sido eliminada no maior país da América Latina. 

Por: Anna Clara M. Cosentino & Renan Almeida

As heranças do Golpe Militar de 1964

Nos anos que sucederam o Golpe de 1964, o Brasil cresceu imensamente no âmbito econômico com investimentos feitos pelo governo, mesmo com toda crise social que se instaurou desde a tomada dos militares. Apesar das criticas ao regime ditatorial, os investimentos a fim de modernizar o país fazem parte e beneficiam de alguma forma o cotidiano dos todos nós. Os investimentos foram tão impactantes que o país chegou à incrível marca de ser um dos 10 mais ricos do mundo!

De 1969 a 1973, aconteceu uma das maiores revoluções industriais que o Brasil já viu: o crescente PIB que chegava à 13% ao ano, a política salarial equilibrada e muitas obras de infraestrutura e reformas politicas ajudaram a construir o “famoso” período do Milagre Econômico, alavancado pelo Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG), elaborado pelo Governo de Castelo Branco, primeiro militar a ocupar a presidência do país. O resultado disso observamos nos anos seguintes, marcados pelo capital estrangeiro no país, aumento das exportações e da produção nacional.

O General Médici era o presidente da Nação no ano de 1969


FOTO: Blog Jornal do Brasil

É importante frisar que nem só de lamentos se constituem as heranças da Era Militar. Algumas delas continuam sendo significativas até hoje para o desenvolvimento do país. Reformas administrativa, bancária, agrária, eleitoral, política e universitária foram instauradas.

O legado da ditadura


Listados aqui, estão alguns dos principais feitos a partir do ano de 1964. Vale lembrar, que estas são apenas ALGUMAS das muitas reformas introduzidas pela Ditadura.

  • Reforma Universitária (1968). Nos anos 70, as universidades, públicas e confessionais, já se encontravam estruturadas com a introdução de vestibulares unificados e classificatórios e adoção do regime de créditos para complementar os cursos; entre ensino e pesquisa se misturavam; cursos de graduação divididos em básico e especialização profissional; e pós-graduação composta por mestrado e doutorado. A universidade que temos hoje ainda é resultado de uma medida tomada ainda no período militar. As matriculas do ensino superior aumentaram de 100 mil em 1964 para 1,3 milhões em 1981.
  • No âmbito social, houve a Criação do MOBRAL ( Campanha de Alfabetização de adultos), FGTS e INPS – criados em 66-, Plano de Integração Social (PIS), PASEP, 13° salário, além da criação de diversos outros benefícios para o trabalhador. Foi criado também o FUNRURAL, que tratava-se da contribuição social destinada a financiar a seguridade (INSS) e o aumentar os serviços de saúde concedidos aos trabalhadores rurais. Criação do Serviço de Proteção ao Índio – antigo SPI – passou a se chamar FUNAI – Fundação Nacional do Índio. Além disso, houve a construção de moradias e geração de milhares de empregos.
  • Criação do BNH (Banco Nacional de Habitação).
  • Construção de rodovias e ferrovias como Transamazônica, Via Dutra, Ponte Rio-Niteroi e Ferrovia do aço (Ligando Belo Horizonte e Volta Redonda), além do melhoramento e asfaltamento de inúmeras outras. Em 1968, Houve também a implementação do metrô nas principais capitais do país.



General Médici na inauguração da Transamazônica. (FOTO: Folha de São Paulo)

  • Criação de empresas como Eletrobrás, Nucleobrás e Embratel, que existem até hoje.
  • Criação da Infraero, que modernizou e implantou diversos aeroportos pelo país.
  • Investimentos na Petrobrás e na exploração do petróleo, inclusive na atualmente tão falada Bacia de Campos, além da criação do programa pró-álcool, que, para resguardar-se de uma crise do petróleo, incentivou produção de álcool no país e forneceu subsídios visando substituir aos poucos combustíveis derivados do petróleo por outros que também funcionassem com álcool nos veículos. 
Jornal do Commercio 1977 (FOTO: Memorias Petrobras)

  • Construção das grandes hidrelétricas de Tucuruí, Ilha Solteira, Jupiá e Itaipu.

Construção de Itaipu. (FOTO: 100dias blog)
  • Aumento das exportações e da produção nacional.
  • Criação de um programa nuclear e das Usinas Angra I e II.

Reformas vistas sob uma perspectiva negativa


Apesar dos benefícios trazidos durante os anos decorrentes do Golpe, é importante ressaltar que existem também aspectos negativos de toda essa agitação que acometia o país de 1964 até o fim do Regime. Houve uma desaceleração da economia de 1974 á 1980. A euforia popular causada pelo "Milagre Econômico" e as propagandas feitas pelo governo, como por exemplo, o slogan "Ninguém mais segura este país", ajudaram a camuflar uma crescente dívida externa e outros “furos” que estava por trás de todos esses feitos.

Os investimentos internos feitos com empréstimos do exterior geraram uma dívida que o país só conseguiu minimizar com o passar dos anos e acarretou uma enorme dependência do Brasil em relação aos países integrantes do Fundo Monetário Internacional. Ou seja, esta divida também é herança do governo militar.

Além disso, a centralização da renda e dos benefícios nas mãos da classe média brasileira, não permitiu que as camadas populares fossem muito favorecidas com os feitos do Governo. Isso acabou gerando desigualdades sociais que o país viu se desdobrar ao longo dos anos.

Apesar de ter sido um período extremamente enriquecedor para o Brasil, as obras de infraestrutura e reformas politicas que favoreceram a população brasileira não são comparáveis ao imensurável dano social ao qual sofreu essa mesma população.

Comissão da Verdade em favor das verdadeiras heranças


A Comissão da Verdade investiga desde crimes contra a violação dos direitos e liberdades da população e da democracia, até obras de infraestrutura que desrespeitaram tais direito e liberdades.

Existe uma investigação especifica sobre o desaparecimento de vários grupos indígenas que, apesar da criação da FUNAI, viviam completamente isolados e foram eliminados com a construção de rodovias no norte e nordeste do país, como a Transamazônica por exemplo. Não há documentos que indiquei de fato a quantidade de mortes causadas a fim do “progresso”, mas há indícios que estimam um número bastante considerável. Além deste episódio, muitos outros de mortes de trabalhadores em diversas construções e fabricas durante a era ditatorial brasileira também são investigados.
A obra da Transamazônica, que acabou posteriormente abandonada. (FOTO: Folha de São Paulo)

Saiba mais

No site da Comissão Nacional da Verdade estão disponíveis esta e mais outras ações do período da ditadura que estão sob investigação: http://www.cnv.gov.br/index.php

Assista a um vídeo feito no ano de 1969 sobre construção da ponte Rio-Niterói, considerada uma das maiores obras do Governo Militar :



Por: Isabela Botelho Reis

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Aonde eu estava quando tudo mudou

Nos corredores da Rádio Nacional, o então jovem de 14 anos, José Lopes, entende pouco o que acontece ao seu redor. Sua atenção está voltada para seu primeiro emprego. Entre longas tardes separando cartas e desenrolando intermináveis cabos, o garoto, recém contratado, não imagina que aquela semana seria decisiva na história do país.

No rádio ouvia -se Orlando Silva, no cinema Assalto ao Trem Pagador  ainda impressionava o menino, que deixara sua pequena cidade em busca do sonho de se tornar um grande locutor.

Tudo era novo; a música, a agitação e, principalmente, os famosos que costumavam pedir pequenos favores. Como no dia em que Nelson Gonçalves o pediu algo pouco esperado.

- "Ele cruzou comigo no estúdio e disse: garoto, me arruma um par de meias pretas. Tem que ser preta!"

Tudo era fantasioso. Talvez por isso não percebia que, ao lado de fora, o presidente João Goulart estava prestes a ser derrubado e as coisas iriam mudar. E de fato mudaram.

Hoje o senhor esguio de cabelos brancos não nega que simpatizava com aqueles que, mais tarde, a história revelaria como "milicos truculentos e covardes", como ele mesmo os descreve.

Os anos passaram e o jovem mudou de opinião e de atitude. Foi ativo nos movimentos estudantis e teve uma longa vida política.

Se formou, casou  teve filhos e netos. Mas, mesmo assim, não esquece o par de meias pretas.


Por: Jose Carlos de Beltrão Couto